Depois da queima dos sutiãs,
da Mulher Alfa, da Nova Mulher, da Mulher X, da Mulher Y, da Mulher 2.0, da
Terceira Mulher, da Millenium Woman, da Mulher fruta, da Mulher tudoo, olha só
onde fomos parar: somos agora o novo homem?!
Basta começarmos a ganhar
mais e a ter algum poder (mesmo assim ainda menos que os homens) e alguma
liberdade, que logo começam a dizer que a gente é o “novo homem”. Não podemos
ser apenas mulheres inteligentes, que trabalham duro, elegem presidentes, são
eleitas presidentas, dirigem multinacionais, escrevem livros, palestram, pintam
quadros? Ter opinião, força e coragem não quer dizer que sejamos homens. Quer
dizer que mulheres são seres humanos, do tipo “mais ou menos” bem resolvidos.A regra deveria ser: “direitos iguais”. Mas nem sempre é assim na realidade. Afinal, na grande maioria das famílias brasileiras, quem cuida das tarefas domésticas quando chega em casa? E quantas mulheres você conhece ganharam o apelido de “mal-comidas” quando viraram chefes? Praticamente todas?
A pergunta feita por Freud no início do século passado – “o que quer a mulher?” – não só segue sem resposta, como agora vale também para os homens: o que quer o homem? Na realidade estamos vivendo uma certa inversão, meio que sem lógica definida: homens-frágeis, mulheres-poderosas. Essas indefinições seriam muito positivas, caso servissem para impulsionar reflexões corajosas, para formular novas indagações e dar voz a outras respostas.
Temos aqui que a emancipação
da mulher é a grande responsável por suas mazelas. A mulher se igualou ao homem
e, agora, está doente, está sozinha, está ferrada, coitada! O problema é que
aqui no Brasil fala-se tanto em evolução, mas o sistema ainda é arcaico. Aqui uma
mulher é agredida a cada 15 segundos, os melhores cargos nas empresas ainda são
na maioria dos homens, a televisão e as capas das maiores revistas femininas
ainda colocam o corpo belo como o principal patrimônio feminino. Fica difícil
falar em igualdade assim!Em alguns aspectos, não nos faria tão mal parecer com um homem... os homens não têm tanta responsabilidades com os filhos quanto nós mulheres, e não deixam de ser bons pais. Não se culpam tanto em estender um “Happy Hour”, conseguem dormir mais tranquilamente... O problemas é que nós mulheres, estamos absorvendo funções anteriormente tidas como “masculinas”, porém cumuladas com as tarefas normais taxadas como “femininas”. As estatísticas mostram a mulher mais parecida com os homens. Mas também, num pequeno círculo, começamos a observar o inverso acontecendo, o que é animador: o cotidiano de alguns “deles” ficou mais parecido com o delas. Foram, digamos, persuadidos a dividir encargos. Ficou mais difícil escapulir de louças sujas, de geladeiras vazias, de rodízios quando se casa com mulheres que não acham natural cuidar da família sozinhas. E que, além do mais, dividem a conta. A surpresa é que muitos homens gostaram de participar da infância dos filhos. Mas mesmo assim, a sobrecarga maior ainda é da mulher. Trabalhar fora, coordenar as atividades das crianças, compras no supermercado, não deixar faltar nada em casa, cuidar e dar atenção para os filhos e o marido, namorado, lavar, passar, se arrumar, depilar, mestruar, comparecer sexualmente falando.. aaaaahhhhhhhhhhhhhhhh....Que loucura!
Fala a verdade, quantas vezes você já chorou escondido pra desabafar?!
Ou no banheiro de casa, ou do trabalho, ou baixinho na hora de dormir. O
importante é nos mantermos fortes! E é osso!
O fato é que infelizmente muitas
mulheres ainda se masculinizam quando assumem posição de poder, fecham o
semblante, se mostram mais autoritárias por medo de não serem respeitadas em
seus cargos. Muitas, pra piorar, ainda têm medo de assumirem sua vaidade, não
se arrumam como gostariam, por medo de não serem reconhecidas como “inteligentes”
ou não promovidas por seus reais méritos, por medo de serem assediadas.Ouvi falar de mulheres ocupantes de cargos altos, que só passaram a se maquiar, a vestir roupas femininas, só tiveram coragem de assumir sua feminilidade depois de fazerem análise.
Porém, apesar das polêmicas
questões lançadas sobre estarmos perdendo nossa feminilidade ou não, nosso
mundo cor de rosa é mágico, atraente e inacessível. Temos nossas crises de histeria,
choramos fácil, temos TPM, mas temos também o dom de sermos maternais, de
cuidar, de amar além dos limites. Temos nossas frescuras sim, mas já ousamos discutir
política, futebol, sexo. Temos opinião, somos livres e independentes. Portanto
meninas, nada de sermos o novo homem, mas sim, a nova mulher, repaginada, mais vaidosa
que nunca, inteligente e dona de si. Abaixo a masculinidade feminina, pois pra
ser mulher de verdade, nunca precisamos ser homem!

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